
O continente africano foi berço de diversas civilizações - a mais conhecida delas é a egípcia - embora praticamente ignorada pelos demais povos. A situação só começaria a mudar a partir de 632, após a morte de Maomé, quando a conquista árabe passa por grande impulsão. Dois anos depois desta data, uma expedição chegou ao Sudão, dando início a um contato que não mais sofreria interrupções. É esta região que será dominada pelos impérios africanos.
As origens de alguns desses reinos são imprecisas, mas o primeiro de que se tem notícia é o de Gana, fundado, provavelmente, no século IV e que foi grande produtor de ouro. Na verdade, Gana era o título usado pelos reis. O nome do país era Aukar. Bakir nos dá conta da riqueza do reino ao relatar que Gana “é a cidade mais importante de todo o território dos negros”, visitada por ricos mercadores dos países vizinhos e de todos os países do Magrebe Ocidental.
Foram muitas e variadas as sociedades africanas do período pré-colonial e esses reinos não se limitaram a dominar e suceder uns aos outros simplesmente. Pode-se falar em aprimoramento, ou avanço, das estruturas político-econômicas. Assim, não é de se estranhar que no reino de Gao, o último império africano antes da chegada dos portugueses ao continente, já existissem cargos e funções administrativos claramente estabelecidos, como por exemplo, o de chefe do tesouro, chefe dos negócios com os brancos e o de responsável pelas florestas.
Apesar da grande importância dos metais nesse período, a agricultura era a base principal da economia dos reinos ao sul do Saara. A produção apoiava-se na exploração familiar das terras. No entanto, aqui e ali, existiam grupos de populações escravizadas que trabalhavam para os soberanos. Estas comunidades-aldeãs desenvolviam o que se convencionou chamar de modo de produção de linhagem ou doméstico e funcionavam organizadas em torno da família ampliada. Embora se dedicassem à agricultura e à produção de artesanato, também se beneficiavam do intenso comércio de longa distância tributando os mercadores que passavam por suas terras. O conhecimento que detinham das técnicas agrícolas e artesanais “permitia a prática de uma agricultura de produtividade suficientemente elevada para satisfazer as necessidades alimentares necessárias à conservação e à reprodução de seus membros, assim como à repetição do ciclo agrícola”. A terra, nessas comunidades, era considerado um bem indiviso e explorada coletivamente sem a ingerência do Estado. Ao patriarca do clã, encarregado de gerir os bens familiares e conceder as esposas ou dotes matrimoniais, era devido um tributo. Nessas sociedades, aparentemente igualitárias, os jovens e as mulheres, em particular esta última, além dos escravos, encontravam-se em posição diferenciada em relação aos homens e velhos.
A mulher tinha uma importante função econômica nessas sociedades, trabalhando como agricultoras e, na maioria dos casos, como comerciantes. A tributação do comércio de longa distância e do excedente de produção das comunidades-aldeãs, que servia para financiar o aparato estatal dos reinos africanos, cai por terra com a chegada dos portugueses às costas africanas, dando início a um ciclo de transformações sociais e econômicas profundas.
“Os reinos comerciais deram lugar a reinos escravizadores. A acumulação de bens e poder, desenvolvida pelos segmentos senhoriais negros, passou a ser efetuada, em grande parte, através da expatriação de jovens africanos reduzidos ao cativeiro”. Este novo tipo de economia (escravismo) também veio alterar a própria estrutura política no que se refere ao poder, emergindo daí linhagens novas e potenciais na sucessão do futuro.
Links úteis para estudos de História da África
http://revistaescola.abril.com.br//swf/animacoes/187_africa_info.swf
http://www.historiadigital.org/2009/12/video-africa-pre-colonial-historia.html
http://negroartist.com/precolonial%20africa/index.html
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